e então que a unesp me obrigou a ficar uma hora em pé sob o sol escaldante garantindo meu câncer de pele dos vinte e cinco anos. fui fazer a tal prova de habilidades específicas para o curso de artes visuais lá na uninove de barra funda e tive que esperar no sol. acho que nem a maria do bairro sofreu tanto quanto eu naquele dia.
enquanto o portão não abria acabei conversando um pouco com um desconhecido. ele perguntou sutilmente "precisava trazer alguma coisa pra fazer a prova?". idiota. como pode um ser humano sair de casa pra fazer uma prova sem levar NADA? vejam bem, crianças, o garoto não tinha nada nas mãos além do rg. eu quase disse que eles exigiriam uma técnica de desenhar no canson A4 usando unicamente o rg. mas fiquei feliz, encontrei alguém mais lerdo que eu. o que vem ao caso é que eu sou a senhorita prevenilda quando se trata de lápis 6b, então cedi para o garoto um 6B e uma borracha. depois é que eu fui perceber o quanto minha atitude é retardada aos olhos dos outros. você ajudaria uma pessoa que disputa uma vaga contigo em uma universidade pública e ainda por cima você nem conhece? então, eu ajudei. eu não sou boazinha, apenas acho que as pessoas precisam de uma chance pra mostrar o que são capazes de fazer. eu tive minha chance. ele teve a dele.
devido à problemas demográficos, tivemos que subir até o nono andar usando a escada rolante. o detalhe pitoresco da história é o fato de que a escada só tava ligada até o segundo andar. a prova era no andar NOVE. ou seja, as pessoas chegaram lá semi-mortas. mas enfim, quem se preocupa com isso?
tinha menos gente esquisita do que eu esperava. na minha sala tinha só uns seis estranhos [sendo que eu era um deles, hu]. tinha até duas japonesas. eu nunca imaginaria japoneses fazendo artes visuais. e eu tive oportunidade de conhecer melhor uma delas. sabe aquela disciplina intrínseca dos japoneses? ela era loira e não tinha nenhuma disciplina dessa. mas era legal.
aliás, eu sou uma pessoa interativa às vezes. mas obviamente não é uma interatividade como a que as vendedoras de roupas têm [quem pensou que eu sou igual elas vai ganhar um chute no saco]. é uma interatividade moderada. se algum estranho minimamente simpático fala comigo eu respondo e continuo o assunto [principalmente se esse estranho for pegável e/ou fodível]. porque às vezes eu até consigo ser legal com alguém.
meu pai iria me buscar depois da prova [até porque eu não tinha lembrado de pegar dinheiros pra me locomover]. terminei a prova e liguei pra ele, "daqui trinta segundos eu to aí, tchau". onde estaria o zorze? sei lá, mas chegou rápido demais. e então nós começamos a caminhar. e eu conversando com a tal japonesa loira enquanto a gente andava, até que ela atravessou a rua e eu lembrei de perguntar onde meu pai tinha estacionado o carro. enchi os pulmões de ar pra falar e antes que eu pudesse terminar a primeira sílaba ele me disse "a gente vai de metrô".
vejam bem, crianças, METRÔ. ele me fez andar de metrô no horário de pico, quando todo mundo termina seus respectivos trabalhos diários e pega o metrô para ir pra casa. agora tentem imaginar como é um metrô a essa hora. se a gente tivesse que entrar num metrô e descer no bairro desejado seria mais aceitável, mas nããão, tinha que trocar de linha. péssimo.
na barra funda deu um pouco de trabalho pra todo mundo caber no metrô, mas pelo menos tinha oxigênio. nas estações posteriores as pessoas nunca desciam, mas novas pessoas sempre entravam. às vezes entrava taaanta gente que a porta não fechava, então a pessoa que tava impedindo a porta de fechar empurrava todo mundo e entrava no metrô. definitivamente, o mundo precisa de metrôs maiores. e, já que estes estão todos podres, que troquem por maiores, hu. não lembro qual estação era, mas de repente o metrô parou sem prévio aviso. olhei na janela da frente: parede escura. olhai na janela de trás: parede escura. se eu tivese claustrofobia teria entrado em coma naquele momento. mas foi só um probleminha técnico de rápida resolução. pelo menos eu suponho que tenha sido, já que o cara que comunicava as coisas aos passageiros não falava a minha língua.
voltando ao assunto, chegou na estação da sé. por lá passava a linha azul que a gente tinha que pegar. juro, não precisei dar um passo pra sair do metrô. eu apenas parei de segurar no cano e a multidão me comprimiu e me arrastou pra fora. não usei minhas pernas pra nada, apenas me deixei levar pelo 'acaso'. e imagino que não preciso falar da parte dos aromas de fim de tarde num dia de calor extremo, néam? então, havia cheirinhos nada agradáveis lá. não quero lembrar.
que fique claro: eu nunca reclamaria de usar transporte coletivo assim. até porque vou ter que usar a vida toda [publicitária pobre mode: on], mas eu não merecia isso num dia que eu poderia andar de carro, néam? aiai, minha família me faz sofrer mais que a maria do bairro. tsc.
enfim, já falei muito por hoje.
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5 comments:
observação: atentem para a maneira sutil de terminar os posts.
huahauhauha....acho q a Maria do Bairro ficaria com dó d vc!!Só o zorze msm heim...hihihihi
Zorze? maginei isso como um foguete espacial. Eu não sei o que é zorze.
Eu, como um jornalista de nome difícil e 26 anos nas minhas rugas posso dizer que andar de metrô é relamente difícil.
Aliás, quando eu era noiva, meu marido ia me buscar, mas após eu me separar, haja perna pra andar até as estações.
Agora, de verdade, fazia tempo que eu não ria lendo um texto.
Maria do Bairro, japonesa loira boazuda (afinal, você disse que só conversa com gente pegável), um ser que vai fazer uma prova sem lápis e um pai que anda de metro no horário de pico? HAJA FOLEGO!
Juro que quando ficar rica te busco um dia na faculdade. Mas, não sei se ainda sou teu número. Afinal, de 17 pra 26 existe uma sutil diferença.
Adorei o texto, e atualizei o meu pra ti, até porque ninguém mais lê aquela gororoba complicada.
Beijos :*
eita o q foi apagado ali? [curiosa]
huahuahuahuahua
japas é teu carma...
to sabendo, brow
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