Sunday, September 30, 2007

do inefável poder que a falta-do-que-fazer pode exercer em um ser humano qualquer.

algumas pessoas mudam de assunto do nada e você fica mais perdido que filho de puta nômade em dia dos pais. a técnica consiste em grudar assuntos, cortar pedaços, inventar pedaços e, o mais importante, falar litros sem respirar. isso exige anos de ensaio, beibe. a lira também exige ensaio. sempre quis tocar lira. mentira, inventei isso agora pra dar um tom de programa-de-auditório-realizador-de-sonhos à coisa toda. mas eu nunca quis ir a um programa de auditório, coisa de encalhada mal-comida, sabe? se bem que eu estou praticamente nesse estágio, mais alguns pés no glúteo e pegas frouxos que eu chego lá e já posso ser chamada de colega pelo sílvio santos. vou voltar pra casa arrasando e colocando 'm' no final das palavras. afinal, viro esponja quando estou no pântano. sabe como é, neám? toda fina já deu patada na lama. a lama que insiste em grudar no meu all star toda vez que visito a casa do senhor meu progenitor, mais conhecido como 'pai'. aliás, tempo esquisito! juro que não consigo entender se faz frio ou calor. na dúvida, não sinto nada. o triste mesmo é essa chuvinha brocha que cai às vezes só pra estragar a chapinha e fazer lama. em resumo, quem tá na chuva é pra estragar a chapinha e quem tá na lama é pra sujar o all star. ah, como eu adoro a sabedoria popular! vovó sempre dizia: "pimenta nos olhos dos outros é ardente". concordo plenamente. um dia desses me lambuzei de pimenta e cocei os olhos. quase tive que amputar a cabeça de tanta dor. estou pensando em fazer um seguro de vida. sabe-se lá o que pode acontecer com uma pessoa que olha do lado errado antes de atravessar uma rua de mão única. preciso aprender a dirigir [carros, motos, caminhões, pedalinhos e guindastes]. quem sabe assim eu consigo um emprego, néam? hoje achei um site com gerador de currículo. coloquei meus dados, escolhi um modelo e imprimi. a folha de sulfite até se sentiu ofendida por ter sido usada pra imprimir tão pouca coisa. até pensei em inventar experiências anteriores e cursos feitos mas... ah. ninguém acreditaria que alguém com essa minha cara de psicopata já teve um emprego. e meu delineador, o agente psicopatizador da minha expressão facial, está nas últimas gotas de vida. ótimo! quem sabe assim aparece alguma vergonha na cara que me faça aproveitar o ensejo e comprar um esmalte? minhas unhas estão apodrecendo, é triste ser dona de casa. você, minha pequenina criança leitora, não sabe o que é perder dias e mais dias em atividades domésticas de resultados efêmeros. essa efemeridade explica o fato da minha cama nunca estar arrumada. afinal, é o único lugar da casa onde posso ser eu mesma e acumular os mais variados e esdrúxulos objetos. aliás, quando eu tinha um quarto só meu ele foi apelidado de catacumba. até ensinei como ter algo parecido em casa em uma das poucas edições do zebra. seu email está na lista do zebra? um dia voltarei a fazê-lo e tenho certeza absoluta de que ninguém vai querer perder tamanha diversão inteiramente grátis, sem custo adicional destinado à materia-prima de publicação e, o que é melhor, entrega em domicílio. essas vantagens e muito mais você só tem aqui, no dmdizz [departamento de marketing, divulgação e integração do zine zebra]. e o dmdizz tem uma super novidade para você: inauguraremos, no próximo ano bissexto após a vinda do décimo oitavo messias, um zeroitocentos zine zebra! além de servir como porta direta do dmdizz, ainda teremos um convênio com o cvv [centro de valorização da vida]. porque um dia desses a prima da sobrinha da vizinha da tia-avó da cunhada do primo de itapecerica da serra do amigo de infância da ex-mulher do primeiro patrão de um amigo meu se matou com um vidro de xampu seda ceramidas e uma cartela de ass infantil depois de ter ouvido um 'tu tu tu' no cvv. é, telefone ocupado é mais duro que pau de tarado. falando em tarado, me deu sono, como se eu estivesse conversando com aquelas pessoas desagradáveis que mudam de assunto, sabe? ô coisa chata. gente assim merece morrer ouvindo pagode com um abacaxi enfiado no cu. e tenho dito!