Wednesday, March 23, 2011

bravura indômita

estava eu voltando calmamente do banheiro quando olhei para a janela e vi aquela criatura asquerosa me observando com olhos satânicos. imediatamente pedi à virgem de guadalupe que intercedesse na minha vida e impedisse aquele ser nojento e ameaçador de entrar em meu lar. enquanto esperava o milagre achei de bom tom me apressar para buscar o veneno e simular dignidade perante a virgem. quando voltei para a janela, devidamente munida de raid, o perigoso animal selvagem já havia feito sua derradeira escolha: pulou para dentro de casa decidido a amaldiçoar-me e matar-me.

imediatamente pensei em abandonar o lar e fugir para as colinas da augusta, mas logo percebi que não era uma atitude coerente com minha bravura e fui até o interfone implorar pela ajuda do másculo e viril porteiro da noite. fui apunhalada pelas costas: o mancebo, provavelmente pressentindo o perigo iminente, não atendeu meu chamado. ao ver-me sozinha e desamparada diante do perigo tomei a decisão mais importante de toda a minha vida: eu honraria meu uísque e lutaria até a morte contra a temida barata!

ostentei bravamente o raid aerosol, mirei naquele enorme demônio negro enviado para destruir-me, gritei como um leitão sodomizado e apertei o gatilho com todas as forças oriundas de meu dedo indicador. logo o monstro trevoso ficou inconsciente e faleceu. mas a batalha do século não terminou por aí, eu ainda precisava ter coragem e bravura para me livrar do cadáver asqueroso e amaldiçoado. peguei minha mais sólida vassoura, abri a porta do apartamento e num tiro certeiro enviei o cadáver para a escuridão indigna da escada do prédio. e foi tudo milimetricamente calculado, deixei o cadáver lá para que as outras baratas satânicas conhecessem um pouco de minha fúria.

BARATAS, TEMAM-ME!